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ULULANI, Godly Inspiration

Slussoki

Confia em Mim….

Confia em mim ele disse enquanto baixava o ziper do meu vestido…

Vespera de uma das épocas mais comerciais do ano, e recebi o convite mais estranho de sempre, desta vez ele levou-me a um sitio diferente, o espaço não tinha ninguém excepto nós e o Garçom que servia a nossa mesa.

No fundo ouvia-se Bossa Nova, uma lareira acesa esquentava a temperatura do espaço, enquanto esperávamos pelo vinho que seria o nosso  guia emocional, em trocas de olhares e palavras miúdas a noite ai pegava o seu rumo.

“A sobremesa será servida no piso de cima” disse o Garçom…

Sem perceber, ele pegou em minhas mãos e levou-me ate a outra área “reservada”. Naquele momento já sentia o meu coração a bater fortemente.

Como se conseguisse ler os sinais de desespero que o meu corpo emitia naquele momento,  ele parou e apenas disse “Confia em Mim”, deu-me um beijo terno na testa enquanto pegava nas minhas mãos frias.

A sala era pequena, e tinha um divã em veludo creme. Uma bandeja tapada, aguardava por nós.
Sentou-se ao pé de mim, retirou um pedaço de tecido e perguntou se poderia..

Tinha a mente a processar naquele momento, porém ao mesmo tempo os meus olhos estavam a ser vendados e o clima de tensão, tesão e medo começavam a ganhar forma. Perguntei o que era aquilo e fui calada com um objecto frio e de borracha.

Veio a cabeça as cenas do livro das 50 Sombras de Grey e o da Tentação de Silvia Day, naquele momento, todos os meus sentidos estavam em pause, enquanto era lentamente despida, senti-me a ser deitada no pequeno sofá e o peso do corpo dele por cima de mim, bloqueou as minhas pernas de maneiras a que eu não pudesse me mexer, e com um objecto frio começou a desenhar o meu corpo, iniciando na cintura subindo pela minha barriga, ate chegar aos meus mamilos que já estavam excitados nessa mistura de sensações. Chegou a minha boca e tirou a mordaça que ate então não me deixava emitir nenhum som e beijou-me, foi um beijo carregado de desejo e ao mesmo tempo muita malícia.

Enquanto as nossas línguas dançavam freneticamente, a sua mão penetrava a minha alma encharcada, a intensidade do momento aumentava a minha ânsia para me enterrar naquele ser.

De repente tudo parou e senti-o a respirar profundamente perto de mim, e mais uma vez aquela palavra que deu inicio a tudo isso “Confia em Mim”

Meu coração começou a vibrar, e logo dei conta que não era o meu órgão a vibrar, mas sim algo a passar pelas minhas pernas ate chegar ao meu clitóris que já encontrava-se excitado de tanto prazer mental.

Um vibrador..

A maneira que ele passava aquele brinquedo por entre as minhas pernas, meus lábios vaginais e os meus mamilos era de uma forma torturante mais ao mesmo tempo tão gostosa, nunca imaginei que pudesse sentir tanto sem ser penetrada. Mesmo amordaçada os meus gemidos ecoavam dentro daquele pequeno comodo, tentava usar as mãos para de alguma forma controlar toda a explosão que crescia em mim. Esperava eu, que em algum momento ele iria deixar isso para lá e afogar as nossas vontades carnais.

A intensidade do brinquedo vibrador aumentou, e eu já não me conseguia conter de tanta tesão, não me queria vir nesses moldes, não com ele sendo o único a beneficiar do vislumbre de mim num momento intimo e frágil, mas atrapalhada com os meus pensamentos e receios, atingi o climax de uma maneira anormal, agarrei-me naqueles braços grandes e fortes enquanto meu corpo pulsava toda a minha vontade e a minha alma retornava lentamente.

Retirou-me a mordaça e sem conseguir recuperar o folego, arrancou um outro beijo, lento e apaixonado dessa vez como um balsamo para o meu ego. Tirou então a venda dos meus olhos, ver aquela estrutura humana toda nua e imponente a olhar para mim, era um preço justo a ser pago, levantou-me e encostou se perto a mim, beijou-me a barriga enquanto inclinava-me para o seu pénis totalmente ereto e a espera que minha boca e língua fizessem maravilhas.

Feliz dia dos Namorados Eva.

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O Ménage… 

Despi-me do medo e vesti-me de atrevimento, deixei ao lado o que é certo e me entreguei ao incerto. 

Sei que não foi o correcto, mais atrevi-me, nossos corpos ao princípio descoordenavam-se ao simples toque, mas em cada toque aninhávamos cada vez mais. 

Naquele quarto frio, naquele quarto vazio, nossos gemidos nada tímidos eram o que iluminavam aquele quarto escuro. 

Rostos pálidos, desfigurados pelo prazer, corpos frios que se aquecem com o prazer, momentos únicos vividos através do prazer. 

No final de tudo ficou o gosto de muito mais, mais ardor, mais prazer, mais fricção, mais tesão. 
Slussoki✍🏽

A Outra…

⁃ o tlf toca, levantas e vais atender ao pé da janela “alo amor” já não és nem discreto, sabes que estou a ouvir e isso já não te faz efeito, enquanto procuro o meu baby doll entre as cobertas relembro-me da noite de amor que tivemos. Corrigindo-me sexo, foi apenas sexo, sempre o foi, sempre deixaste claro que apenas de sexo se tratava.

⁃ Era claro como água, que de um contrato de prazeres se tratava, o que de início começou com uma troca de olhar hoje acaba com uma carga de orgasmos.

⁃ Às vezes pergunto em que parte o jogo revirou e eu passei de caçador a caça. Pés assentes na terra sempre foi meu lema, mas contigo um rumo diferente teimo em tomar.

⁃ Para alguém que antes queria prazer, hoje busco entre outros um gesto de carinho, um calento quem sabe, meu corpo já não reconhece outro toque que não seja o teu isso è certo.

⁃ Quando desligas o tlf, de seguida a radio ligas, ao som de Matias Damásio “eu sou a outra” beijas-me a nuca.

#SL…

A Minha Carta para o teu Dia dos Namorados!

07.02.2018

Falta uma semana para a data que mais gostávamos de comemorar,  lembras?

Dá ate um frio na barriga só de imaginar nas mil e umas ideias que o meu cérebro estaria a arquitetar neste momento, mas a dura realidade é que neste momento me vejo a tentar ser forte para não chorar, porque foste FRACO e me abandonaste.

Esse ano não será comigo, será com ELA, que diferente a mim, tem  cuidado, alimentado, protegido. De certeza que te vais perguntar, como sabes disso?

Eu sei, porque todos os dias que vou ver o perfil dela nas redes socias, o meu MANTRA matinal, eu vejo como vocês parecem feitos um para o outro, como algumas pessoas escrevem nos centos e muitos comentários que recebem por cada publicação VOSSA, nós sempre fomos super reservados, mas por causa DELA para eles és diferente.

ELES não sabem que para ti não passei de uma tempestade , porém, em volta a dias turbulentos e noites de trovoadas, noites essas em que sempre te aqueci e adornei, com os meus largos ombros te cobri, fui a melhor reviravolta que viveste, e tu o sabes.

Não quero meias palavras aqui escrever, eu tenho SAUDADES, ate dos roncos que no meio da noite me acordavam e dos tapas pesados que davas na minha BUNDA.

Sei que varias vezes avisaste que o meu EGO/ORGULHO nos iria separar, mas que culpa tenho eu, se a PERSONALIDADE que me é característica é superior ao AMOR, que por ti tenho.

Sabes, a essa hora já teria um dos quartos do Hotel Baia alugado para nós, já teria passado pela  Woman Secrets e comprado a lingerie mais SEXY de todas, sabendo que me preferes nua, mas todo presente tem que ter um bom embrulho.

O Ano passado foi assim, sei que bem te lembras, por ti ficaríamos na banheira ate o mundo acabar. Será que ELA também é assim? É fogosa tal como eu, ou puritana tal e qual aquela tua outra EX? Já lhe contaste daquele nosso pequeno SEGREDO, ou preferes esconder a 7 chaves?

Não me queria alongar, queria ser curta e direita, mas lembrei que essa não sou EU, tem como eu fazer um resumo de como os últimos meses têm sido?

Eu sinto FALTA, ate do beijo com sabor a cevada, e tu? Vives a mesma TORTURA ou sabes esconder melhor? Achas que não sei que me bloqueaste no teu número da Unitel, mas segues todos os meus passos pelo número da Movicel.

O vídeo que fiz para ti seminua no Snap, dei conta que o repetiste tantas vezes quanto o pudeste, ainda sou a tua tesão não é mesmo?

Não preciso que me respondas, faz um ultimo favor, quando terminares de ler QUEIMA este papel insignificante.

Com AMOR, da tua EX!

O Dia em que me matei…

Menos um dia…

Sei que chovia intensamente lá fora eram 4horas na madrugada de quinta-feira, da janela do meu quarto eu podia já ouvir os barulhos dos carros, pensei com os botões do meu pijama a que horas essas pessoas acordavam ou dormiam, isso se elas chegavam sequer a descansar. Essa rotina louca que muitos de nós tínhamos um dia de certeza nos irá matar.

Levantei da cama, e os meus pês entraram em contacto com o chão frio, arrepiei, a minha boca a nada sabia, estava despenteada, meus cabelos até a bem pouco tempo loiros, agora debatiam-se com um mel que de desbotava com o sol intenso, mas que deixava a minha pele clara, torrada que nem morena da terra, debati-me ao levantar, e decide continuar sentada a beira da cama imersa na imensidão de um vazio.

Olhei-me ao espelho e o que ele refletiu era a imagem nítida de um ser perdido no tempo e espaço, sentei-me na sanita enquanto apreciava um cigarro, o leve trago a menta me prendia e fazia refletir por momentos no quão doce e amarga a vida por vezes conseguia ser. Sei que por momentos ouvi o telefone a tocar, mas àquela hora do dia quem poderia ser, deixei tocar e acumular mais uma de mil chamadas não atendidas nos últimos dois dias.

A sala estava escura, a música no modo replay tocava a mais de 72 horas, era a única monotonia boa que eu lembrava de gostar, enquanto tentava mexer o corpo ao som de “Lay Up de Ella Mai,” minha garganta roçou de tão seca que estava, abri a geleira, duas latas vazias de cerveja, metade de uma  garrafa de vinho e um pacote de leite que havia já expirado com o tempo de desuso.

O vinho acabou por dar o gosto que havia sumido em minha boca. Olhei pela janela e a chuva cai ainda miudinha, tentei lembrar da sensação de ter a chuva a bater no rosto, eu lembrava-me de poucas coisas, ou quase nada, na sua maioria pouco interessava quem estava de fora. Bebia lentamente o vinho, com receio que terminasse e com ele o gosto adocicado que ficava na boca.

Não sabia por quanto tempo eu estava aí sentada olhando para o dia formando-se, sei que ouvi o telefone chamar mais uma vez, creio eu. A fome ia crescendo e o meu estomago mais parecia estar a cantarolar uma canção, acho que era hora de comer, não tinha nada na geleira, a despesa estava mais limpa que a minha conta bancaria, tinha uma fatia de pizza de margarita fria, mais ainda apetitosa, com muito prazer devorei-a até ao final.

A casa estava tão silenciosa, tudo desligado, não havia motivos para ter as luzes acessas era apenas eu e o turbilhão das minhas emoções que ecoavam barulhentas em mim, achei ter ouvido um barulho mas sei que não era nada, deambulei em vão pela sala com a garrafa na mão, a dor de cabeça de a dois dias continuava e piorava a cada minuto.

A água estava fria e o esquentador não funcionava, enquanto aquelas gotas frias tocavam a minha pele entorpecida, meu coração tentava ganhar ritmo, senti saudade, andava a lutar com isso faz tempo decide então ficar na banheira e deixar-me submergir não só em água mais também nos sentimentos que me envolviam, de olhos fechados tentei sufocar o barulho que eu mesma fazia.

 

Estava deitada na cama nua e fria fazia já 1 hora, nada do sono aparecer, eu estava esgotada, precisava descansar, fechar os olhos e me deixar levar, o telefone voltou a tocar dessa vez olhei para o visor e era a mesma pessoa, a mesma ligação de há dois dias atrás, por descuido atendi, aquela voz rouca ressoou em mim de uma maneira trágica, desliguei o telefone.

Procurei entre os muitos comprimidos algum que me ajudasse a passar a dor de cabeça e me ajudasse a dormir, encontrei alguns e a preguiça de ir até a cozinha para pegar um copo de água, fez com que os tomasse com a ajuda do vinho que restava na garrafa.  Estava tudo ao meu alcance, lembro de ouvir no fundo enquanto a minha respiração adormecia o toque do telefone uma vez mais, sorri, iria finalmente descansar.

Slussoki.

Mudanças…

Dá um frio na barriga e uma incerteza que aleija, deixa um gosto amargo na garganta e um nó bem feito no peito. Dá incerteza de um erro a ser cometido ou uma certeza de algo melhor a caminho.

Mudanças são assim, tenebrosas que nem noite de chuva com trovoada e relâmpago, que nem medo de perder algo que muito gostamos.  Mudanças são boas , mudar é sinónimo de evolução, é crescer de dentro para fora e nunca o inverso.

Há pessoas que gostam de mudar, de sentir aquela sensação de ansiedade leve quando algo totalmente diferente do normal esta para acontecer. A mudança inspira é sem sombra de duvidas  um misterioso prazer quando o processo está em andamento.

Mudar dói, mas nada será mais doloroso do que permanecer preso a um lugar que não te faz feliz. Mudar dói, mas não tanto quanto ficar preso num lugar que não é seu. A mudança trás essa certeza que depois de dias longos de  tempestade espera-nos um lindo nascer do Sol do outro lado .

Mudar nos faz conhecer o desconhecido, mudar dá um medo, transmiti insegurança, mas mudar trás conforto, mudar faz tão bem a alma, alimenta o ego e equilibra o nosso ser.

 

Então mude, não te desesperes, é um processo leva tempo.

Slussoki…

O Tímido..

Kiame observava atento aos movimentos dos pedestres que corriam para protegerem-se da chuva que caia miúda, a quarta-feira amanheceu escura e mantinha-se cinzenta, na rádio só se ouvia relatos dos estragos do dia anterior e a previsão era de mais chuvas. Enquanto segurava a sua chávena de café e apreciava o movimento da rua com a sua Canon 7D, sentado no café ao pé do serviço, o rapaz perdeu-se enquanto tentava retratar momentos inesperados até que lembrou que deveria voltar ao escritório e teria que explicar sua ausência repentina.

Kiame voltou para o escritório tentando desviar os olhares curiosos dos demais empregados que àquela hora já haviam retornado a suas actividades habituais, enquanto tentava focar-se no trabalho, os devaneios da noite anterior o distraíam, Kiame sempre foi muito tímido e o pior em ser tímido, é que as relações de hoje as coisas acabam acontecendo com uma certa rapidez e as pessoas não param tanto para tentar entender e compreender os outros, acabam gostando mais do que as atrai por fora do que o conteúdo em si, geralmente as pessoas não querem dar-se o trabalho de conhecer melhor alguém, principalmente quando se é tímido, ou que não se mostra logo de cara, isso se torna ainda pior numa relação a dois, ainda mais quando se é homem, pois na nossa sociedade o normal é que o homem tenha a iniciativa, e quando se é tímido essa iniciativa pode ser bem lenta, o que acaba gerando um desinteresse e as vezes até desprezo, afinal porque uma mulher se daria ao trabalho de tentar entender e conhecer alguém que é mais discreto, tímido.

A hora do almoço chegou rápido, e embora não tinha apetite, decidiu ir ao terraço, uma chávena de café, maquina na mão e uma hora inteira para aproveita-los. A esta hora do terraço do prédio de 13 andares, Kiame tinha uma vista de quase toda marginal de Luanda, a que mais lhe chamava atenção era a paisagem mais a norte do terraço que dava para o terraço de um mini prédio. Todos os dias, acertadamente as 13 horas Luna subia até ao terraço para dar um mergulho, bronzear-se enquanto lia uma das edições da Revista Chocolate e apreciava uma bebida qualquer.

Essa rotina de quase um mês levava Kiame a ter o momento mais alto do seu dia, a ansiedade em voltar a vê-la, fotografa-la em segredo tornou-se algo indescritível, várias foram as vezes que em momentos criou fantasias diversas, em muitas delas, Kiame ganhava coragem e a abordava, pedia o seu número, saiam para jantar e a noite terminava numa eloquente e prazerosa noite de amor. Porem tudo isso, era apenas fantasias de um fã louco e depravado.

Numa das muitas manhas, enquanto tomava seu café e apreciava os relatos na televisão da pastelaria onde tomava o pequeno-almoço todos os santos dias, alguém, um rosto bastante familiar entrou pela sala, radiando uma energia contagiante e um odor fresco e convidativo, direccionou-se ao balcão e com um sorriso doce cumprimentou o velho que lá atendia, carinhosamente o tratou por Sr. Sebas e ele respondeu na mesma sintonia saudando a bela jovem Luna, foi assim que Kiame descobrirá o nome de sua musa.

O dia Cinzento, não atrapalhou o banho diário de sol de Luna, diferente dos outros dias, Luna subiu vestida com um robe vermelho, de seda talvez, Kiame tentava decifrar o porquê da mudança, quando por um triz caia parapeito abaixo a ver que Luna encontrava-se despida, parcialmente, vestia uma cueca do mesmo tecido que o robe. Luna havia trocado também a posição do seu assento neste dia, dando maior visibilidade e facilidade para Kiame fazer as fotos.

Luna tinha pele morena, lábios carnudos, pernas longas, dotada de peitos grandes mais cheios e maduros, tinha uma tatuagem de passarinhos que se escondiam na linha do sutiã, porem hoje mais visíveis ou livres estavam, e um trevo de três folhas no pé esquerdo, Kiame indagava se essas teriam algum significado, tinha o afro hoje rebelde e uns óculos de sol espelhados, que por momentos Kiame viu-se reflectido neles, assustou-se mais uma vez, a ideia de saber que Luna o podia estar a ver, chegava a ser mais arrepiante que o filme Jeepers Creepers.
Luna mergulhou e Kiame fotografou, todo e qualquer movimento por ela feito, aquele momento tão íntimo que partilhavam era singelo e ao mesmo tempo tão efémero, o alarme do telefone de Kiame o alertou que em 10 minutos acabava o almoço e tinha que voltar para o escritório, com dó e um amargo sabor na garganta, Kiame despediu-se de Luna enquanto tirava uma última foto, ele teve certeza do que a dúvida lhe cantava na mente, Luna sabia que ele aí estava.

As horas desta quarta cinzenta passavam lentas, como se de alguma forma o dia não quisesse terminar, Kiame tentava trabalhar, mas vira e volta, olhava para a edição das fotos e via o olhar penetrante de Luna na foto, ela viu-me pensou, sei que viu. Corroer-se de culpa e medo era uma das maneiras de aliviar a sensação de tensão que se criava.
Na saída do edifício, Kiame encontrou Luna parada a porta a sua espera, inesperado era ver-lhe aí e com a certeza que ela não o tivera ido ver, ele travou internamente, mas continuou andando até ao estacionamento, rezando para que Luna não o reconhecesse.

– Kiame?
Ele olhou para o chão e depois meio que inseguramente para Luna.
– Tudo bem com você?
– Sim, respondeu ele nervoso – tudo sim. E você?
Luna percebeu que Kiame tentava esconder a sua câmera, por trás das costas.
– Estou bem, obrigado.
Luna esticou-se para tentar ver o que Kiame tentava esconder.
– O que tem aí? Perguntou Luna.
– Aqui? Nada. Nada, disse Kiame
Luna aproximou-se o suficiente para ouvir o bater forte do coração de Kiame
– Ah… Nada?! Certeza?
Kiame, balbuciava, mais nada de concreto se entendia do que tentava falar.
Sentindo-se encurralado e sem ter por onde fugir, Kiame mostrou apenas a pasta em que carregava o seu bem mais precioso, a sua câmera. Luna pegou a pasta, e a pousou por cima da porta mala do carro em que estava encostada e a abriu vendo a máquina, ligou e passou a ver todas as fotos, uma por uma, sua expressão facial era indescritível e por mais que Kiame tenta-se pegar uma reacção daquele rosto angelical, era falho o mesmo.
Luna sorriu inocentemente ao ver o quão tímido aquele desconhecido estava, e, em seguida lançou seu corpo na direcção de Kiame, e com um suave beijo na bochecha agradeceu pelas lindas fotos.

O jovem foi pego de surpresa: Obrigada? Você gostou das fotos – disse Kiame empolgado.
– Parece que sim – respondeu ela virando o rosto na direcção do rapaz, ficando a centímetros dele, principalmente desta última, mostrou-lhe.

– Agora entendo porque saíste tão apressado do terraço, não queria que desses por conta que eu te conseguia ver, queria apenas dar-te mais com o que trabalhar.
Instantaneamente, ambos ficaram sem graça, o que levou Kiame a tentar desculpar se por invadir a privacidade de Luna, o que o deixou hipoteticamente vermelho e o fez começar a gaguejar.

– Bom, espero por ti hoje as 20 horas no meu apartamento, levarei a câmera, assim não terás como não aparecer.
Sem saber como reagir, nem o que pensar, Kiame simplesmente respondeu um simples e oco “OK!”.

Ansiedade é simplesmente a pior inimiga para um tímido, a sensação de espera é aterrorizadora, o sangue congela por alguns momentos e vezes outra chega-se a sentir calores que escorrem pelo corpo, como se estivesse numa sauna.
Kiame estava em transe enquanto olhava para o tecto escuro do seu T0, tentava repassar bem lento tudo que se tinha passado. Olhou para o relógio faltava exactamente 2 horas para o encontro, levantou e bebeu a terceira chávena de café e já sentia o coração palpitar, um ataque de coração a essa hora seria engraçado, pensou enquanto preparava o café.

Haviam passado 40 minutos desde que Kiame estava debaixo do prédio de Luna, tinha-se tornado um autêntico perseguidor, Luna vivia no primeiro andar do prédio de 3 andares, era um edifício privado, viviam apenas funcionários de uma certa empresa que da qual Kiame não conseguira reter o nome. Apartamento AO1, tinha a porta em uma madeira velha e preta, um tapete com um “Bienvenue”, sem campainha na porta, Kiame bateu e logo a porta abriu-se, notara então que a mesma e então que a mesma estava encostada, Luna o esperava. 

O apartamento era todo revestido em cores neutras, uma combinação entre branco, nude e cinzento, a televisão ligada passava uma novela qualquer, o apartamento fazia-o lembrar o apartamento de Carrie Bradsaw´s na serie Sex and the City, apenas mais neutro e num clássico simples.

Luna veio para sala, vestia um robe azul, transparente o suficiente para poder notar-se o conjunto com renda e liga que vestira da mesma cor, um batom escuro adornava aqueles lábios, vendo-os agora Kiame os preferia no tom natural, tinha o rosto levemente maquiado, como se fosse sair para algum evento.

Kiame, pensei que não viesses. Queres beber alguma coisa ou passamos logo para acção?
Acredito que a saliva engolida para de alguma maneira lubrificar a garganta seca foi suficiente, e Kiame simplesmente disse não estar com sede. Luna pegou-lhe pela mão, sentiu a fresca, húmida e a tremer, olhou directamente para os seus olhos e disse:

– Relaxa, não é como se nunca tivesses feito isso, certeza que não será a tua primeira vez, e o levou até ao corredor que dava para o cómodo principal da casa, o quarto de Luna.

O quarto estava tão frio que se poderia comparar a uma câmara frigorifica industrial, o quarto de Luna era simples, uma cama de tamanho real, com roupa de cama toda branca, um enorme tapete cinzento de pelos, um armário que ocupava a maior parte do quarto, mais que por ser todo ele espelhado, dava um ar amplo ao mesmo. As cortinas eram cinzentas, num tom mais escuro da cor, considerando o facto de ter as janelas todas em vidro a cor escolhida para as cortinas ajudavam a esconder o que não era suposto ser visto a luz do dia.

Por momentos pensou que estivesse a sonhar, era muito mais fácil, do que acreditar na realidade que os seus olhos tendiam a mostrar-lhe. Luna disse estar pronta, chegou-se próximo a Kiame, deixou o robe escorrer lentamente até chegar ao chão revelando não só o conjunto mais também o decote bastante avantajado, encostou-se mais e como que por instinto Kiame deu um passo, seguido de outro passo para trás, até tocar no sofá que se encontrava no meio do quarto, Luna encostou-se mais um pouco e baixou para pegar a câmera de Kiame que estava por cima do sofá e o entregou, Kiame olhou pasmo, pois nada mais fazia sentido.

– Hoje tens a minha permissão para fazer fotos, sempre quis fazer uma sessão, só não conhecia ninguém tão bom para o fazer. Luna dirigiu-se até a cama e deitou-se olhando para ele enquanto o esperava.

Enquanto tentava focar e alinhar-se a luz e temperatura do quarto, Kiame ponderava se não devia sair a correr porta fora e esquecer que um dia aí esteve, afinal havia assistido diversos filmes e series e na maioria das vezes situações do género terminavam em tragédia, com a chegada de um amante ciumento e violento, que dava um fim sangrento ao casal de amantes ou apenas a vítima.

Fotografar sempre foi o melhor meio de comunicação de Kiame, seu refúgio, sua terapia, não existiam dias cinzentos ou aborrecidos quando se tem em companhia uma câmera. Na maioria das vezes fotografava sozinho, pois gostava de não ouvir detalhes de outros de como o fazer, não era nenhum profissional, fazia-o apenas por diversão e pela sensação de liberdade que a mesma a providenciava, vezes havia que fotografava em grupo, outras em casamentos ou eventos sociais de familiares ou amigos próximos. Nunca havia feito fotos do género estúdio, a esse tipo de fotos pouco lhe importava, gostava mesmo do natural, do que não se podia classificar.
Fotografar Luna era natural, era como se a câmera já se houvesse habituado com a modelo, o que não deixava de ser verdade, era tudo tão sincronizado que quem não soubesse diria que foi ensaiado, Luna sabia mexer-se perante os flashes, e Kiame a acompanhava detalhadamente, como se de um tango intenso se tratasse. Começou a chover e de repente Luna levantou da cama, abriu uma das portas que dava para varanda e pediu a Kiame que a fotografasse aí fora.

Tinham a baía iluminada como pano de fundo e a chuva que a molhava tornou-se o melhor adorno da noite, a um determinado ponto Luna estava totalmente encharcada, seu cabelo havia encolhido, seus seios estavam todos expostos e os mamilos arrebitados por debaixo do tecido completamente molhado. Ela pediu que continuassem, ela mostrou-se sedutora para a câmera, enquanto dançava por baixo da chuva os flashes repetidos a acompanhavam naquela sinfonia que ambos criavam.

… o teu cheiro

… Ainda lembro do teu cheiro, aquele cheiro meloso e gostoso, que ficava impregnado no meu corpo, na minha mente, na minha manta. 
… Aquele cheiro que me hipnotizou e não me largou, o mesmo cheiro que me intrigou e que aumenta a vontade de ter e ver.
… Esse cheiro que colou não só em meus lençóis, não só no meu moletom, mais esse cheiro que para sempre fica na minha memória. 
SLUSSOKI✏️

Mulher…

Em nossas vidas existe uma mulher que sempre foi a guerreira e nunca desistiu de sonhar mesmo quando era impossível realizar esse sonho.
Em nossas vidas existe uma mulher que nos ensina que a vida não é nada fácil e nem por isso deixaremos de sorrir, lutar e conquistar uma vida que nos permite superar qualquer barreira mesmo com nossas limitações.
Em nossas vidas existem guerreiras que de peito aberto e sem medo partilham de mulher para mulher todas as suas vivências, seus sentimentos, suas conquistas, seus medos, que no borbulhar das suas emoções è possível compreender e valorizar o ‘ser mulher’. 
Em nossas vidas existem mulheres que expressam suas inquietações sem medo e os seus desejos de viver. Que dão um novo significado em nossas vidas. 
Em nossas vidas existem aquelas mulheres que são mães, fortes e independentes que quase nunca mostram fraqueza, são apenas mulheres, na sua mais simples essência impregnadas por suas experiências, forjadas na convivência familiar, no cotidiano, na cultura, na sociedade.
E para essas e por elas, dedico todo meu amor e respeito. 

✍🏽SLussoki.

Imagem de capa: @franArts 

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